Interior da Catedral de Santiago de Compostela

Localisação :

Quando o peregrino vem a Santiago de Compostela, tem essencialmente um objetivo: ver o túmulo do apóstolo Tiago. Tiago de Zebedeu ou Santiago Maior, fiel amigo de Jesus Cristo, dito o responsável pela evangelização da Hispânia, hoje Espanha e Portugal. Morto pela espada segundo o novo testamento, morto por Herodes Agripa I, rei da Judeia, os restos mortais terão sido transportados até a Gálica, onde foi enterrado segundo a lenda. Esquecido durante cerca de oito séculos, foi a redescoberta do seu túmulo por um ermida e o bispo local que permitiu fazer de São Tiago de Compostela, o lugar de relevo da Cristandade. Depois de ter apresentado a arquitetura exterior da Catedral onde se encontram as relíquias, proponho-vos entrar no edifício, entrando na pele de um peregrino, e assim descobrir as maravilhas do património mundial da humanidade que aqui se encontra.

Mapa da Catedral de Santiago de Compostela.

Mapa da Catedral de Santiago de Compostela.

Pórtico da Glória

No tímpano do Pórtico da Glória, vê-se no centro, Cristo, por debaixo dos seus pés, Tiago. Cristo é rodeado pelos quatro evangelistas e por cima, os 24 velhos do apocalipse tocando música.

No tímpano do Pórtico da Glória, vê-se no centro, Cristo, por debaixo dos seus pés, Tiago. Cristo é rodeado pelos quatro evangelistas e por cima, os 24 velhos do apocalipse tocando música.

O antigo peregrino da Idade Média, após uma longa e frequentemente perigosa caminhada, era finalmente recompensado à sua chegada pela beleza do lugar. Ele iniciava a visita da catedral passando pela porta do Paraíso, transformada hoje na chamada Porta da Azabacheria. Na atualidade, os visitantes preferem usar a porta principal da Praça do Obradoiro. O visitante moderno também recebe um prémio, à semelhança do peregrino. Quando entra no recinto da catedral, vislumbra uma obra- prima da Arte da Idade Média. Logo por detrás da fachada barroca do Obradoiro, encontra-se outra fachada, apenas visível em alguns lugares: é a antiga fachada romana da Catedral. O Pórtico da Glória, é a obra-mestra medieval da catedral. É da autoria do Mestre Mateo. Quando chegou a minha vez de visitar esse lugar mágico, grande azar, o pórtico estava em obras. Para visita-lo, era necessário comprar um bilhete no museu. A visita valeu a pena, o Porto da Glória merece a sua reputação. Foram necessários não menos de vinte anos (entre 1168 e 1188) para o Mestre Mateo e os seus assistentes canteiros (em galego, “obradoiro”) realizarem o pórtico. Os trabalhos finais levariam ainda mais tempo, o pórtico só fica realmente concluído em 1211. O Pórtico que vemos hoje, não é idêntico ao construído pelo Mestre: no momento da construção da nova fachada barroca no século XVIII, algumas estátuas foram deslocadas, estando agora no museu da catedral. A pintura policromada do pórtico está hoje na sua totalidade praticamente desaparecida.

Alguns dos 24 velhos do apocalipse que podemos ver do Pórtico da Glória.

Alguns dos 24 velhos do apocalipse que podemos ver do Pórtico da Glória.

O pórtico representaria a Jerusalém celeste, tal como está descrita no Apocalipse. É constituído por três arcos, um para cada nave da igreja. No arco da porta da direita, representa o Julgamento Final. No arco da porta da esquerda, episódios do Antigo Testamento estão representados. No arco central, no meio do tímpano, encontra-se o Cristo Pantocrator, um Cristo em toda a sua glória após o Julgamento Final, daí o nome do Pórtico. Cristo mostra os seus estigmas, em sinal de triunfo sobre a dor e a morte. Ele está rodeado pelos quatro evangelistas. Ao seu lado, encontram-se os anjos que seguram os símbolos da Paixão como a Cruz, e a coroa de espinhos. Dispostos em arco de circunferência (dentro da arquivolta), reconhece-se os 24 velhos do Apocalipse, segurando na sua maior parte, um instrumento de música: estão a tocar uma sinfonia em honra a Deus. Aos pés de Cristo, está Santiago.

Por cima das colunas do Pórtico da Glória estão representados os apóstolos.

Por cima das colunas do Pórtico da Glória estão representados os apóstolos.

Representação da apóstolo Tiago o Maior no Pórtico da Glória.

Representação da apóstolo Tiago o Maior no Pórtico da Glória.

À direita, o fim do deambulatório. Vislumbra-se a capela da Santa Fé. À esquerda, a árvore de Jessé que simboliza a árvore genealógica da Jesus desde Jessé, pai do rei David.

À direita, o fim do deambulatório. Vislumbra-se a capela da Santa Fé. À esquerda, a árvore de Jessé que simboliza a árvore genealógica da Jesus desde Jessé, pai do rei David.

Catedral Vella

Por debaixo do Pórtico da Glória, encontramos uma cripta, concluída pelo Mestre Mateo. Servia de sustentação ao pórtico para compensar a irregularidade do terreno. De estilo Romano, a Catedral Vella, ou a “Velha Catedral”, faz hoje parte do museu: é o ponto de partida para as visitas guiadas.

A nave central e as suas colaterais

Nave da Catedral. Se olharmos com atenção, distinguimos o “Botafumeiro” ao fundo. No centro da fotografia, o órgão em cada lado da nave.

Nave da Catedral. Se olharmos com atenção, distinguimos o “Botafumeiro” ao fundo. No centro da fotografia, o órgão em cada lado da nave.

Apesar do exterior da catedral ter sido mudado ao longo do tempo, o seu interior conservou o essencial da sua característica romana. A catedral é imensa, tem quase 100 metros de cumprimento, um transepto com 70 metros, uma altura máxima de 32 metros, e 22 metros na nave central. Depois de passar pelo nártex onde se encontra o Pórtico da Glória, encontramo-nos perante a simplicidade da beleza da catedral de Santiago de Compostela, que muito a honra, recheada de bancos para os fiéis na nave central, e os seus inúmeros confessionários nas colaterais. O confessionário em Santiago, é uma tradição para o peregrino crente que chega ao seu destino: serve para ele se purificar antes de se encontrar com o túmulo do apóstolo. Embora haja visitantes vindos dos quatro cantos do mundo, a igreja encontrou uma solução, propõe confessionários em várias línguas.

Os vários confessionários da catedral podem acolher diversas línguas.

Os vários confessionários da catedral podem acolher diversas línguas.

Na fotografia da esquerda, um confessionário. Distingue-se uma cruz de consagração por cima. À direita, uma pessoa confessando-se. No primeiro plano, uma espécie de gaiola que permite avistar as pesquisas arqueológicas.

Na fotografia da esquerda, um confessionário. Distingue-se uma cruz de consagração por cima. À direita, uma pessoa confessando-se. No primeiro plano, uma espécie de gaiola que permite avistar as pesquisas arqueológicas.

Os órgãos da catedral são do início do século XVIII.

Os órgãos da catedral são do início do século XVIII.

Vista traseira da fachada romana da catedral. Vislumbra-se o Portal da Glória. À direita, a Porta da Sacristia.

Vista traseira da fachada romana da catedral. Vislumbra-se o Portal da Glória. À direita, a Porta da Sacristia.

Capela Maior

Decoração barroca da Capela Maior, encimada por inúmeros anjinhos.

Decoração barroca da Capela Maior, encimada por inúmeros anjinhos.

No fim da nave, por detrás do altar-mor, encontramos a Capela Maior. Este espaço, situado no centro da catedral, é o que mais salta à vista no meio da simplicidade romana. Marca o lugar do local do túmulo de Santiago, ele se encontra na cripta logo por debaixo. A profusão exuberante do barroco esconde a estrutura original romana da Capela Maior. É preciso estar lá, para ver todos esses anjos que suportam o baldaquim, todo esse ouro e essa prata, pontuados por milhares de detalhes diferentes, para tomarmos conta da riqueza artística e das maravilhas culturais acumuladas ao longo dos séculos em Santiago de Compostela. A estátua principal de Santiago, data do século XIII, e é da feitoria do Mestre Mateo. O peregrino pode vir beijar o seu manto graças a uma escadaria construída na capela. Obviamente que o lugar é pequeno e que temos que esperar na fila para poder seguir viagem até ao manto. Logo por detrás da estátua do apóstolo, há um padre que toma conta do lugar e oferece a sua bênção às crianças. As fotografias são aqui proibidas. Num lugar sagrado, como é o exemplo de uma catedral, por norma, evitamos passar por cima das proibições. No entanto, esta chica-espertinha, que queria passar à frente de centenas de pessoas que faziam a fila para ir à cripta, e que foi gentilmente, mas firmemente, escoltada para fora pelos serviços de segurança… Fico surpreendido cada vez que vejo pessoas sem qualquer respeito pelos outros num lugar como este.

Na Capela Maior, alguns padres vindos de longe aproveitam o momento para imortaliza-lo com o seu smartphone. Somos todos humanos.

Na Capela Maior, alguns padres vindos de longe aproveitam o momento para imortaliza-lo com o seu smartphone. Somos todos humanos 🙂

No fim desta pequena escadaria, a imagem de Santiago na Capela Maior.

No fim desta pequena escadaria, a imagem de Santiago na Capela Maior.

Já não sobra muita coisa do romano na capela Maior. Transformou-se no símbolo da exuberância do Barroco.

Já não sobra muita coisa do romano na capela Maior. Transformou-se no símbolo da exuberância do Barroco.

O brasão de Espanha, situado bem no centro da decoração da Capela Maior. No seu interior, vê-se o brasão de Portugal.

O brasão de Espanha, situado bem no centro da decoração da Capela Maior. No seu interior, vê-se o brasão de Portugal.

Santiago Matamoros na Capela Maior. Esta figura é polémica: trata-se da visão do Santo que permitiu vencer os mouros durante a Batalha de Clavijo em 844. Com efeito, o Santo, montado no seu cavalo branco, terá morto inúmeros inimigos muçulmanos de Ramiro I, rei cristão das Astúrias, daí o seu nome Mata-mouros.

Santiago Matamoros na Capela Maior. Esta figura é polémica: trata-se da visão do Santo que permitiu vencer os mouros durante a Batalha de Clavijo em 844. Com efeito, o Santo, montado no seu cavalo branco, terá morto inúmeros inimigos muçulmanos de Ramiro I, rei cristão das Astúrias, daí o seu nome Mata-mouros.
Para apaziguar a polémica provocada por uma representação tão cruel e contrária aos valores cristãos, algumas estátuas de Santiago Matamoros estão enfeitadas com flores, escondendo assim muitos mortos que aqui estão representados. Trata-se de um património histórico e de uma maneira de pensar. Prefere-se o politicamente correto à realidade histórica.

Representação de Santiago na Capela Maior. É ele que podemos tocar na pequena escada que se encontra na capela.

Representação de Santiago na Capela Maior. É ele que podemos tocar na pequena escada que se encontra na capela.

Botafumeiro

O grande incensário da Catedral, o Botafumeiro.

O grande incensário da Catedral, o Botafumeiro.

No cruzamento do transepto, debaixo da torre lanterna, encontra-se um imenso incensário suspenso por um cabo. É o botafumeiro, feito de latão e banhado em prata, tem 1,60 metros de altura e pesa 62 quilos vazio. A corda de 65 metros que o sustenta, pesa cerca de 90 quilos. Pode conter até 40 quilos de carvão e de incenso. Era utilizado na missa do meio-dia do domingo, mas por causa do desgaste da corda, a sua utilização é restringida aos momentos solenes como a Páscoa e o Natal. Nunca é demais recordar que a corda já se rompeu no passado, (em 1499, 1622 e 1937) felizmente, não fazendo qualquer vítima. Noutras ocasiões, é outro incensário mais pequeno que é utilizado, tem o nome de “Alcachofa”. Para mover o botafumeiro, é preciso um grupo de oito pessoas, que devem trabalhar em sincronia para conseguir faze-lo oscilar no bom sentido. O incensário poderá então se deslocar a toda a velocidade no transepto da catedral, chegando aos 68 quilómetros por hora.

O sistema da corda do Botafumeiro permite-lhe oscilar na catedral.

O sistema da corda do Botafumeiro permite-lhe oscilar na catedral.

Igreja de Santa Maria la Antigua de la Corticela

Igreja de Santa Maria a antiga da Corticela

Igreja de Santa Maria a antiga da Corticela

No século IX, existia uma igreja um pouco mais distante da igreja primitiva de Santiago, um mosteiro. Esse mosteiro, o mosteiro da “Corticela”, tinha no seu recinto uma pequena igreja. Com falta de espaço num mosteiro tão pequeno, os monges decidiram fundar outro mosteiro do outro lado da catedral, o mosteiro de “San Martin Pinario”. A igreja é então confiada à catedral e totalmente transformada em paróquia dedicada “aos peregrinos, aos estrangeiros e aos bascos”. Dizem que é a única igreja no mundo, que para se chegar a ela, devemos atravessar outra igreja: a Catedral de Santiago de Compostela. O seu nome de “Corticela” poderá vir no termo latim “curtis”, ou seja, um recinto, uma recordação da sua proximidade com o primeiro recinto de Santiago de Compostela.

Na igreja da Corticela encontramos uma imagem do menino Jesus de Praga. Aqui, uma pequena menina no gesto para ligar as velas elétricas.

Na igreja da Corticela encontramos uma imagem do menino Jesus de Praga. Aqui, uma pequena menina no gesto para ligar as velas elétricas.

Parede lateral esquerda da Corticela.

Parede lateral esquerda da Corticela.

Capelas da Catedral

A Capela de Alba, acessível a partir do claustro, possui um magnífico retábulo do século XVIII representando a transfiguração de Jesus. Reconhece-se em baixo os seus três discípulos, testemunhando a transfiguração. Pedro, Tiago, e João. Jesus é ladeado por Moisés e Elias.

A Capela de Alba, acessível a partir do claustro, possui um magnífico retábulo do século XVIII representando a transfiguração de Jesus. Reconhece-se em baixo os seus três discípulos, testemunhando a transfiguração. Pedro, Tiago, e João. Jesus é ladeado por Moisés e Elias.

Muitas capelas se encontram na catedral, quer num dos lados da nave, como no deambulatório. Uma parte destas capelas só está acessível a partir do museu da catedral: é portanto imperativo comprar um bilhete. Comecemos por dar uma vista de olhos nas capelas fazendo um passeio pela Catedral. Passando pelo Pórtico da Glória, do lado esquerdo, encontramos a Capela do Cristo de Burgos. Esta capela foi construída por Melchor Velasco entre 1162 e 1664, a pedido do arcebispo Pedro Carillo. É o crucifixo do século XVIII, obra central desta capela que lhe dá o nome.

À esquerda, a entrada para a Capela do Cristo de Burgos. À direita, um detalhe da capela, neoclássica.

À esquerda, a entrada para a Capela do Cristo de Burgos. À direita, um detalhe da capela, neoclássica.

Capela da Comunhão

Continuando o passeio, deparamo-nos com a Capela da Comunhão. Esta grande capela, construída para substituir a antiga capela de Nossa Senhora do Perdão, tem um nártex, e se apresenta com uma planta circular. Muitas missas são celebradas nas capelas, e o dia da nossa visita não fugiu à regra. Para respeitar a quietude dos crentes, não entramos em plena missa para tirar fotografias. A capela é do ano de 1769. É iluminada por um grande óculo no centro da sua cúpula. Em cada lado do Pórtico da Azabecheria encontramos duas capelas pequenas, a Capela da Santa Catalina (Santa Catarina) e a Capela de Santo António. A Capela de Santa Catalina abrigava o Panteão Real antes de ser transferido em 1535 para a Capela das relíquias. Indo em direção da Igreja de Santa Maria a Antiga de Corticela (ou Capela da Corticela), passamos por três capelas: a Capela de São Nicolau, a Capela de Santo André, e a Capela do Espírito Santo.

À esquerda, a Capela de Santa Catalina. À direita, a Capela da Comunhão.

À esquerda, a Capela de Santa Catalina. À direita, a Capela da Comunhão.

Capela de Santo André

Deixando para trás a Capela de São Nicolau indo em direção à Corticela, temos a nossa esquerda, a Capela de Santo André. Esta capela, construída em 1674, tinha na sua origem uma abertura para o exterior. Podia funcionar deste modo, como sala para os guardas. Foi transformada em capela em 1695 com um retábulo barroco do ano de 1707, obra de Fernández Espantoso. No retábulo, podemos ver a representação de Santo André na cruz. Em frente, encontramos a Capela do “Sancti Spiritus”, ou do Espírito Santo. Antes de chegarmos às inúmeras capelas da abside, (as capelas por detrás da abside, ao fundo da igreja), passamos pela Capela Prima. Percorrendo o deambulatório, passamos pela Capela da Santa Fé, da Capela de São João e finalmente pela Capela da Espanha.

À esquerda, a capela de Santo André, reconhecível pela sua cruz. À direita, a capela de São João e o seu belo gradeamento.

À esquerda, a capela de Santo André, reconhecível pela sua cruz. À direita, a capela de São João e o seu belo gradeamento.

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À esquerda, a Capela de Nossa Senhora a Branca, ou de Los España. À direita, a Capela de Santo António.

À esquerda, a Capela de Nossa Senhora a Branca, ou de Los España. À direita, a Capela de Santo António.

À esquerda, a Porta Santa, ou a Porta do Perdão. Esta porta de bronze é decorada com momentos da vida de Santiago. À direita, a Virgem de Monserrat na Capela de los España. É a padroeira da Catalunha.

À esquerda, a Porta Santa, ou a Porta do Perdão. Esta porta de bronze é decorada com momentos da vida de Santiago. À direita, a Virgem de Monserrat na Capela de los España. É a padroeira da Catalunha.

Cada cruz de consagração é posta em relevo, como é o exemplo desta na entrada na Capela do Espírito Santo.

Cada cruz de consagração é posta em relevo, como é o exemplo desta na entrada na Capela do Espírito Santo.

Capela do Salvador ou “Capela dos Franceses”

A Capela dos grandes ou do Rei de França é igualmente conhecida sob o nome da Capela do Salvador. O retábulo em mármore policromado de 1532 é da autoria de João Alava.

A Capela dos grandes ou do Rei de França é igualmente conhecida sob o nome da Capela do Salvador. O retábulo em mármore policromado de 1532 é da autoria de João Alava.

Esta capela é muito particular para os franceses: é aqui que tem lugar as missas em francês. O rei de França Carlos V, que viveu durante o século XIV, fez uma doação muito considerável à catedral, para que cada dia, uma missa fosse celebrada nesta capela “para a prosperidade da França”. A capela está bem situada, no centro do deambulatório. É aqui que se deu início dos trabalhos da catedral romana, como atestam as inscrições dos capitéis que sustentam o arco na entrada da capela. É nesta capela que os antigos peregrinos vinham se confessar antes de receber a “Compostela”, prova que tinham efetuado a peregrinação. Continuamos o nosso percurso para passar pela Capela de São Pedro, praticamente idêntica ao que fora durante a Idade Média. O retábulo é do século XVIII. Em conclusão deste percurso entre as capelas absidais, a Capela de Mondragón, de estilo gótico flamejante. Ela é muito fácil de identificar graças ao seu belo gradeamento ricamente trabalhado que ornamenta a sua entrada.

Na Capela de Azucena, antes denominada de São Pedro, encontramos este magnifico mural, obra pintada no século XVI por Juan Bautista Celma. Estas pinturas foram reencontradas graças aos trabalhos de restauração de 1998.

Na Capela de Azucena, antes denominada de São Pedro, encontramos este magnifico mural, obra pintada no século XVI por Juan Bautista Celma. Estas pinturas foram reencontradas graças aos trabalhos de restauração de 1998.

A Capela de São Pedro é igualmente conhecida sob o nome de Nossa Senhora de Azucena, que também encontramos no centro do retábulo.

A Capela de São Pedro é igualmente conhecida sob o nome de Nossa Senhora de Azucena, que também encontramos no centro do retábulo.

Capela de Mondragón

Deploração do Cristo na Capela de Mondragón.

O gradeamento de algumas capelas impede aos turistas de se aproximarem muito, como neste exemplo da Capela de Mondragón.

O gradeamento de algumas capelas impede aos turistas de se aproximarem muito, como neste exemplo da Capela de Mondragón.

Capela do Pilar

No início, esta capela devia ser a nova sacristia da catedral, mas o arcebispo Monroy tinha outros planos, preferindo dedicar este espaço à Nossa Senhora do Pilar em 1713. A capela só será terminada em 1719, e os decoros apenas no ano de 1723. Esta capela é a última que podemos ter acesso sem ter a necessidade de adquirir um bilhete antes de irmos por baixo da grande escadaria da fachada do Obradoiro, lugar onde podemos comprar um bilhete para entrar na parte reservada da catedral.

Neste antigo batistério que figura na fotografia da esquerda, a lenda indica que Al-Manzor deu de beber ao seu cavalo. Por cima, um antigo Calvário gótico. À direita, a Capela do Pilar.

Neste antigo batistério que figura na fotografia da esquerda, a lenda indica que Al-Manzor deu de beber ao seu cavalo. Por cima, um antigo Calvário gótico. À direita, a Capela do Pilar.

Capela das relíquias

Para aceder a este Capela, temos que passar pelo claustro. Ela é típica do plateresco, um estilo espanhol na moda no século XVI. Construída entre 1520 e 1535, ela é desde então usada como Penteão Real, com os restos mortais dos vários reis, transferidos da Capela da Santa Catalina.

Tesouro

Na capela gótica de São Fernando, acessível a partir do claustro, encontra-se o “Tesouro”. É aqui que são guardados os objetos preciosos da catedral para o serviço litúrgico. A maior obra do Tesouro, é um grande ostensório do século XVI, realizado pelo grande ourives espanhol Antonio de Arfe no estilo plateresco.

Palácio de Gelmirez

O Palácio de Gelmirez, nome do primeiro arcebispo de Compostela, é um edifício do período românico, construído por volta do ano 1120. É o edifício que se encontra logo do lado esquerdo da fachada do Obradoiro. Apresenta-se na atualidade com uma fachada do século XVIII. É um edifício civil, anexado à catedral. Era a morada do arcebispo. Hoje, faz parte do museu da Catedral.

O Palácio de Gelmirez é hoje um museu.

O Palácio de Gelmirez é hoje um museu.

No Grande Refeitório encontram-se estes músicos, esculpidos dentro de uma mísula. Uma mísula é um elemento arquitetónico que permite segurar uma abóbada.

No Grande Refeitório encontram-se estes músicos, esculpidos dentro de uma mísula. Uma mísula é um elemento arquitetónico que permite segurar uma abóbada.

Páginas amarelas de um manuscrito que podemos ver no Palácio de Gelmirez, ou em galego, Prazo de Xelmirez.

PPáginas amarelas de um manuscrito que podemos ver no Palácio de Gelmirez, ou em galego, Prazo de Xelmirez.

Estes personagens minuciosamente esculpidos que podemos ver numa mísula do Palácio Gelmirez estão a partilhar o pão.

Estes personagens minuciosamente esculpidos que podemos ver numa mísula do Palácio Gelmirez estão a partilhar o pão.

Três estátuas diferentes de Santiago com hábito de peregrino. Segura uma cabaça na ponta do seu bastão, um chapéu decorado com uma grande concha de Santiago e uma grande capa.

Três estátuas diferentes de Santiago com hábito de peregrino. Segura uma cabaça na ponta do seu bastão, um chapéu decorado com uma grande concha de Santiago e uma grande capa.

Arquivos

Os arquivos da catedral são acessíveis a partir do claustro. Encontramos nos arquivos, um dos manuscritos mais preciosos: o Codex Calixtinus. Estes textos são muito úteis para compreendermos melhor a vida do peregrino do século XII, o códex foi escrito por volta do ano 1140. Podemos encontrar nele o “Guia do Peregrino de Santiago de Compostela”, uma espécie de livro-guia da época! O seu autor é provavelmente um francês de nome Aimey Picaud, monge do Parthenay-le-Vieux. Passou à frente do “Viajar como Ulisses”, numa distância de vários séculos… 

A Cripta do apóstolo Santiago o Grande

Cripta do apóstolo Tiago. É o objetivo último do peregrino.

Cripta do apóstolo Tiago. É o objetivo último do peregrino.

Toda a Catedral, toda a cidade foi construída em redor do derradeiro objetivo do peregrino: o túmulo do apóstolo Tiago o Grande, discípulo de Jesus Cristo e evangelizador da Península Ibérica segundo os dizeres da tradição. O túmulo se encontra por debaixo da catedral, no interior da cripta. Temos que esperar muito tempo para poder descer, passando por um corredor muito estreito (e no entanto, já foi ampliado no século XIX) inundado de gente, sem nunca podermos parrar, para não estorvar os visitantes ou os peregrinos que estão atrás de nós. Mas não esqueçamos: observar o relicário em prata onde se encontram os supostos restos mortais do Santo, é o destino supremo do peregrino, que pode deste modo, render uma homenagem, por alguns segundos, ao discípulo de Jesus, evangelizador da Espanha. O relicário é de prata e criado em 1886 para abrigar as relíquias do Santo. Foram recentemente recuperadas desde o “esquecimento” da sua localização que ocorreu durante a sua translação no final do século XVI, com o intuito de protege-las dos piratas. Não esqueçamos que Francis Drake, o famoso corsário inglês do século XVI, parava nas redondezas.

Duas fotografias do relicário de Santiago. À esquerda, por detrás do gradeamento, podemos ver o relicário de prata ao fundo da pequena sala da cripta. À direita, em grande plano, no conjunto da decoração do relicário, Jesus triunfante no interior de uma Mandorla. É um trabalho fantástico da autoria do ourives José Losada.

Duas fotografias do relicário de Santiago. À esquerda, por detrás do gradeamento, podemos ver o relicário de prata ao fundo da pequena sala da cripta. À direita, em grande plano, no conjunto da decoração do relicário, Jesus triunfante no interior de uma Mandorla. É um trabalho fantástico da autoria do ourives José Losada.

O culto dos Santos, do qual Tiago faz parte, é considerado como uma idolatria pelas igrejas protestantes e uma transgressão da igreja católica perante o monoteísmo do Islão ou do Judaísmo. Conseguimos percebe-los, para quê rezar um santo quando podemos rezar diretamente à Deus? A própria existência dos santos é uma reminiscência das antigas religiões politeístas existentes na zona mediterrânea. Quanto a mim, posso admirar o génio criativo do Homem durante um milénio, estando todo ele, concentrado num espaço majestoso como é a catedral de Santiago de Compostela. Emana daqui uma atmosfera muito particular, que a torna diferente das outras catedrais: os peregrinos de mochila às costas devem ter alguma influência!

Um dos inúmeros papeis que os peregrinos deixam entre duas pedra no interior da cripta para pedir um favor ao Santo.

Um dos inúmeros papeis que os peregrinos deixam entre duas pedra no interior da cripta para pedir um favor ao Santo.

Uma das saídas da cripta, está fechada ao público.

Uma das saídas da cripta, está fechada ao público.

Por detrás da fachada do Obradoiro, a fachada românica

Chave da abobada dentro da sala logo por detrás das grandes vidraças da fachada do Obradoiro. Salienta-se um dos símbolos do cristianismo, o cordeiro.

Chave da abobada dentro da sala logo por detrás das grandes vidraças da fachada do Obradoiro. Salienta-se um dos símbolos do cristianismo, o cordeiro.

Detalhe da antiga fachada romana da catedral.

Detalhe da antiga fachada românica da catedral.

Por detrás da fachada do Obradoiro...

Este corredor fica por cima de um dos colaterais da igreja. Ele serve de arrecadação. A direita, os vidros da fachada do Obradoiro, vistos do interior.

Pormenor da antiga fachada românica, escondida por detrás da fachada barroca do Obradoiro. Só se pode ver este lugar numa visita guiada.

Pormenor da antiga fachada românica, escondida por detrás da fachada barroca do Obradoiro. Só se pode ver este lugar numa visita guiada.

Fotografias do interior da Catedral de Santiago de Compostela

Doze, é o número das cruzes da consagração da catedral. Ficam expostas na igreja no dia da sua consagração. As cruzes de Santiago de Compostela datam de 1211. Conseguimos ver a representação do Sol e da Lua na parte de cima, e em baixo, o Alfa e o Ómega.

Doze, é o número das cruzes da consagração da catedral. Ficam expostas na igreja no dia da sua consagração. As cruzes de Santiago de Compostela datam de 1211. Conseguimos ver a representação do Sol e da Lua na parte de cima, e em baixo, o Alfa e o Ómega.

No cruzamento do transepto, temos uma ideia da ambiência quotidiana da catedral, com os turistas que olham para cima, aqueles que descansam nos bancos, as crianças que não se importam com nada, o padre que espera pela confissão do fiel, mas acima de tudo, as velhas pedras.

No cruzamento do transepto, temos uma ideia da ambiência quotidiana da catedral, com os turistas que olham para cima, aqueles que descansam nos bancos, as crianças que não se importam com nada, o padre que espera pela confissão do fiel, mas acima de tudo, as velhas pedras.

Bancos na nave da catedral.

Bancos na nave da catedral.

As pedras ainda têm as marcas dos canteiros.

As pedras ainda têm as marcas dos canteiros.

À esquerda, uma fotografia da nave da catedral. À direita, peregrinos com as suas pesadas mochilas.

À esquerda, uma fotografia da nave da catedral. À direita, peregrinos com as suas pesadas mochilas.

Sétima estação do Caminho da Cruz: Jesus toma a sua Cruz.

Sétima estação do Caminho da Cruz: Jesus toma a sua Cruz.

Diferentes caixas de esmolas da catedral, esperando pela doação dos fiéis.

Diferentes caixas de esmolas da catedral, esperando pela doação dos fiéis.

O carácter românico da catedral é muito visível, assim que levantamos o nariz para observar as abobadas.

O carácter românico da catedral é muito visível, assim que levantamos o nariz para observar as abobadas.

Um dos raros vitrais da catedral, representa o apóstolo Tiago o Grande.

Um dos raros vitrais da catedral, representa o apóstolo Tiago o Grande.

No transepto, olhando em direção à Acebecheria.

No transepto, olhando em direção à Acebecheria.

Decoração da parte superior do Pórtico da Sacristia, da autoria de Juan de Alava no século XVI.

Decoração da parte superior do Pórtico da Sacristia, da autoria de Juan de Alava no século XVI.

À esquerda, uma colateral e os seus confessionários. À direita, o transepto olhando para a Praça das Praterias.

À esquerda, uma colateral e os seus confessionários. À direita, o transepto olhando para a Praça das Praterias.

Santiago Matamoros

Por cima da representação de Santiago Matamoros que avistamos por detrás do gradeamento, encontramos os bustos dos personagens dos nossos dias, Bento XVI e João Paulo II.

Como em qualquer lugar turístico, a tradicional loja de lembranças.

Como em qualquer lugar turístico, a tradicional loja de lembranças.

Informações Úteis

Localisação da Catedral


Commentaires

  1. Rosângela disse:

    Excelente descrição da Catedral. Estive lá por esses dias e somente agora, a ler este post, tive maior noção de tudo aquilo que vi.
    Parabéns!

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