Os jardins do Palácio de Versalhes

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Jardins à francesa

Luís XIV era um apaixonado por belos jardins à moda francesa. Decorados com fontes e bacias, o rei estimava que no século XVII, era o que de melhor se podia fazer para exprimir a beleza e o poder da França aos seus convidados, sejam eles, cortesãos ou embaixadores vindos do estrangeiro. Os novos jardins do Palácio de Versalhes tinham como função impressionar quem os visitasse, deviam exprimir através das suas fontes e estátuas a grandiosidade da França e do seu rei. Para levar esta tarefa a bom fim, Luís XIV, escolhe o jardineiro André Le Nôtre, que já tinha dado provas em Vaux-le Vicomte. Ele vai trabalhar nos jardins do palácio desde o ano de 1662 até a sua morte em 1700. Estamos aqui perante a sua maior obra, os jardins à francesa por excelência.

Caminho de Baco e de Saturno. A primeira bacia é de Baco, a segunda de Saturno.

Caminho de Baco e de Saturno. A primeira bacia é de Baco, a segunda de Saturno.

As flores do jardim não eram plantadas, mas apresentadas dentro dos seus vasos, o que permitia mudar rapidamente a decoração segundo as vontades do rei, e também, dar lugar a permanência de flores frescas, evitando que murchassem. O patrono dos jardins era Apolo, com quem Luís XIV se identificava na sua qualidade de Rei Sol. Porém, para que um jardim seja belo, é indispensável levar água em quantidades suficientes para às bacias e às fontes que lhe pertence.

Solo do Meio-Dia, em frente à ala do Meio-Dia.

Solo do Meio-Dia, em frente à ala do Meio-Dia.

A água em Versalhes

Após algumas pequenas obras que iniciaram em 1661, é em 1664 que a grande obra começa. Os responsáveis pela manutenção das fontes do Rei, membros da família Francine, estão a cargo das obras. Inicia-se pelos jardins antes de se construir o novo palácio. Na verdade, os jardins eram tão ou mais importantes aos olhos do rei que o próprio palácio. Para alimentar as numerosas bacias, fontes e jogos de água do jardim tão desejados pelo soberano, era necessário trazer água de lugares muito distantes. Versalhes estava muito longe das grandes correntes de água de dimensões suficientes para preencher as ambições do rei. A água será por assim dizer, uma obsessão permanente em Versalhes, uma questão que nunca ficará totalmente resolvida, os jardins, serviam de laboratório contínuo às soluções técnicas que aqui se sucederam.

O Caminho Real do Parque de Versalhes. Indo do fundo para o primeiro plano: Grande canal, Bacia de Apolo, Tapete Verde, Bacia e Solo de Latone.

O Caminho Real do Parque de Versalhes. Indo do fundo para o primeiro plano: Grande canal, Bacia de Apolo, Tapete Verde, Bacia e Solo de Latone.

Como trazer água às fontes

Começou-se por construir uma “Torre de Água”, com a função de trazer a água vinda das proximidades: a lagoa de Clagny (já não existe nos dias de hoje). Esta bomba grande, da autoria do engenheiro do rei, Denis Jolly, usava carroceis movidos por cavalos. A água bombeada desta maneira iria para reservatórios. Porém, a Torre de Água não era suficiente, foi necessário construir moinhos de vento com a função de elevar o nível das águas para que pudesse fluir até o palácio. É o primeiro sistema que originará a inauguração da “Gruta de Téthys” em 1666, uma antiga gruta artificial com numerosas fontes e jogos de água.

À esquerda, esta pequena vala que impede as pessoas de entrar e que permite desafogar a vista. À direita, uma portaria.

À esquerda, esta pequena vala que impede as pessoas de entrar e que permite desafogar a vista. À direita, uma portaria.

Em 1682, a maquina de Marly e o seu aqueduto de Louveciennes, ponto culminante da tecnologia existente no século XVII, tinha por missão, levantar as águas do rio Sena para alimentar o palácio de Versalhes e de Marly. A máquina estava destinada a substituir o sistema dos moinhos de vento e as instalações dos cavalos anteriores, mas o seu baixo fluxo, insuficiente para alimentar Versalhes, poderá apenas servir Marly. Era necessário encontrar uma solução permanente e suficiente para Versalhes.

O Parque de Versalhes era um terreno de caça para os reis Luís XIV e Luís XV.

O Parque de Versalhes era um terreno de caça para os reis Luís XIV e Luís XV.

Inicia-se a construção do canal de L’eure, encarregado de encaminhar a água deste afluente do rio Sena para Versalhes, em coordenação com um sistema de aquedutos. A guerra que rebentara face a Liga de Ausbourg interrompe definitivamente os trabalhos. Versalhes, só será alimentada pelo sistema baseado na força da gravidade, constituído por aquedutos, como o aqueduto de Buc, construído entre 1684 e 1686. Os aquedutos têm a enorme vantagem de precisarem de pouca ou nenhuma manutenção, a despeito da máquina de Marly ou dos carroceis de água.

No total, foi preciso cerca de 30 quilómetros de canalização em chumbo ou em ferro fundido nos jardins, 40 quilómetros de aquedutos subterrâneos, tudo isto, sem contar os reservatórios de água que já existiam na época para alimentar as bacias e os jatos de água dos jardins do Palácio de Versalhes. Um terço do dinheiro gasto para construir o Palácio, foi utilizado para os sistemas de circulação das águas.

Um dos restaurantes do Parque de Versalhes. Olhamos para os menus, e os preços não eram proibitivos.

Um dos restaurantes do Parque de Versalhes. Olhamos para os menus, e os preços não eram proibitivos.

O grande canal e as bacias

2000 bacias e fontes existem no Parque de Versalhes. 1700 ainda estão a funcionar. Este número exorbitante, denota o esplendor do Palácio na época de Luís XIV e das suas enormes necessidades de abastecimento de água. Dois dispositivos de água destacam-se no complexo de versalhense: o Grande Canal e a “Pièce d’eau des Suises” (sala de água dos Suíços).

A escada dos Cem Degraus. Ao fundo a “Pièce d’eau des Suises” e à esquerda, o Solo Baixo ou do laranjal.

A escada dos Cem Degraus. Ao fundo a “Pièce d’eau des Suises” e à esquerda, o Solo Baixo ou do laranjal.

As terras de Versalhes eram pantanosas, daí a necessidade de instalar grandes correntes de água artificiais. O Grande Canal, projeto muito ambicioso, foi construído entre 1667 e 1679 pela mão de Le Nôtre, que ignorou a Academia real das ciências e as suas opiniões negativas em relação a uma tamanha obra. A sua grandeza permitia acolher a “flotilha real de Versalhes”. Ainda hoje, podemos aí, dar um passeio de barco e descobrir este espaço aquático desmedido em forma de cruz, com o comprimento de 1500 metros por 62 metros de largura. No inverno, quando o grande canal ficava gelado, servia de pista de gelo. A “Pièce d’eau des Suises”, construída em 1665 por um regimento de guardas Suíços (daí o seu nome), foi várias vezes ampliada até 1682 ao longo da Horta do Rei, o que deu origem a uma limpeza definitiva daquilo que se conhecia antigamente pelo nome de “lagoa mal cheirosa”. A Horta do Rei, criada por Jean-Baptiste de La Quintinie em 1683, servia para levar todo o tipo de legumes e fruta para a mesa real, independentemente da estação do ano, algo que conseguirá as mil maravilhas.

O Grande Canal. Podemos passear nele de barco.

O Grande Canal. Podemos passear nele de barco.

As bacias de Versalhes estão presentes em todo o lado. São elas, com as suas estátuas e as suas fontes que precisam dos maiores trabalhos para levar a água até Versalhes. André Le Nôtre, não parava de construir bacias cada vez maiores, cada vez mais belas e cada vez mais impressionantes para o rei: a bacia de Latone, de Apolo e de Neptuno…

Os bosques

Em contraste com o caminho Real, muitos bosques ofereciam mais intimidade aos moradores do Palácio. Estes bosques, verdadeiros labirintos de verdura, estavam bem guarnecidos e podiam esconder muitas surpresas, como por exemplo os bosques dos Banhos de Apolo, efetuado na época de Luís XVI, onde se encontra uma gruta artificial e a estátua de “Apolo servido pelas ninfas”. O bosque da Sala de Bal, também é famoso, era aí que o rei vinha dançar. Os bosques foram frequentemente retocados, outros desapareceram e alguns foram criados.

As árvores são talhadas ao milímetro. Tudo está ordenado geometricamente.

As árvores são talhadas ao milímetro. Tudo está ordenado geometricamente.

A “Orangerie”, Laranjal

No século XVII, a entrada das laranjas e dos citrinos no norte da Europa, eram em regra geral, uma raridade. Com efeito, as laranjeiras são árvores muito frágeis que suportam mal as dificuldades do inverno. Um bom jardim devia ser bonito, mas também fornecer frutos exóticos que fariam o regalo dos convidados do rei. Decidiu-se construir um laranjal em Versalhes à semelhança do que já tinha sido feito no Louvre ou no Castelo de Ambroise.

O Laranjal, em baixo o Solo do Meio-Dia ou do Sul.

O Laranjal, em baixo o Solo do Meio-Dia ou do Sul.

Este primeiro laranjal, construído por Le Vau em 1663, é anterior ao grande Palácio de Versalhes. Irá conservar o mesmo estilo que o castelo de Versalhes de Luís XIII, feito de tijolo e pedra. Irá revelar-se rapidamente muito pequeno para as necessidades de uma Corte cada vez maior. Em 1681, resolveu-se destruí-lo para dar lugar a ampliação do castelo da nova Ala do Meio-Dia. Foi Jules Hardouin-Mansart que será o diretor dos trabalhos do novo Laranjal entre 1682 e 1686, elaborado em proporções mais dignas para o novo Palácio de Versalhes.

O solo deste novo Laranjal, o Solo Baixo, é obra de Le Nôtre, como a maioria dos jardins. Vários milhares de laranjais podem ser conservadas no Laranjal de Versalhes ao abrigo do frio durante o inverno, O Laranjal está voltado para sul e é composto por paredes grossas de 5 metros, que lhe permite conservar uma temperatura constante apesar do temporal do inverno. Encontra-se debaixo do Solo do Meio-Dia.

Jardins à inglesa

Luís XVI, homem do seu tempo, do século das luzes, tinha em mente racionar um jardim tão dispendioso para as suas finanças. A solução encontrada, foi de transformar os jardins à francesa em jardins à inglesa. Não pode haver conceções de jardins tão diametralmente opostas. Os jardins à francesa, concebidos por arquitetos, são geométricos, talhados e imaginados como se fossem edifícios. Os jardins à moda inglesa, são na sua generalidade concebidos por pintores, onde as formas são mais sinuosas, mais naturais por assim dizer. Têm também a grande vantagem de serem muito mais baratos a nível da manutenção. O problema em Versalhes, é que o terreno não estava preparado para isso: tudo é demasiado regular e plano, um jardim à maneira inglesa em tal sítio, estaria totalmente fora de contexto, o custo das obras para ter algo agradável a vista seria demasiado elevado. Temos que ir à Aldeola da Rainha para ver uma natureza menos geométrica e descobrir o Jardim Inglês de Marie-Antoinette. É aqui que encontramos o templo do Amor, o Belvédère…

A bacia de Apolo no primeiro plano. Ao fundo, o Palácio.

A bacia de Apolo no primeiro plano. Ao fundo, o Palácio.

Apolo em cima da sua Caroça do Sol guiando cavalos audazes. Obra do escultor Jean-Baptiste Tuby.

Apolo em cima da sua Caroça do Sol guiando cavalos audazes. Obra do escultor Jean-Baptiste Tuby.

Com a sua água e a sua horta, o Palácio de Versalhes possibilita morar nele sem a necessidade de importar algo vindo de fora. Estamos aqui perante uma verdadeira moradia ecológica e responsável, não existe poluição causada pelo transporte de frutos e legumes, pois até os frutos exóticos, são cultivados no recinto do palácio. Quando se procura um lugar perfeito para se viver, é uma enorme vantagem pensar que nenhuma greve, problema técnico ou climático pode impedir o fornecimento de alimentos. Basta pensar no exército dos jardineiros necessários para a manutenção de tão grandes jardins, equipados de um sistema hidráulico tão complexo…

Fotografias do Palácio de Versalhes

Podemos passear no Parque do Palácio de carro elétrico.

Podemos passear no Parque do Palácio de carro elétrico.

Também podemos passear no Parque de Segway. Prático para os mais apressados. Até têm um guia.

Também podemos passear no Parque de Segway. Prático para os mais apressados. Até têm um guia.

Alegoria do Rio Ródano por Jean-Baptiste Tuby, em frente à bacia do Meio-Dia, de frente para o Corpo Central.

Alegoria do Rio Ródano por Jean-Baptiste Tuby, em frente à bacia do Meio-Dia, de frente para o Corpo Central.

Ala do Norte, lado do jardim. As estátuas são cobertas para serem protegidas das intempéries do inverno.

Ala do Norte, lado do jardim. As estátuas são cobertas para serem protegidas das intempéries do inverno.

A bacia de Neptuno. Ao fundo, o Gradeamento do Dragão. Em frente, as ruas da Cidade de Versalhes, a rua de Maurepas e da Paroisse.

A bacia de Neptuno. Ao fundo, o Gradeamento do Dragão. Em frente, as ruas da Cidade de Versalhes, a rua de Maurepas e da Paroisse.

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